BelaVistaMS
Geral

23/10/2017 - 10h10

Geral

Bela Vista-MS, Curitiba, Campo Grande e São Paulo!

J. Paulo Villalba

Futebol anos 60/70!

Naqueles não tão distantes anos 60, o lazer para a gurizada, sem dúvida, era o futebol. E em cidades interioranas, com maior intensidade.

No livro de minha autoria, Crônicas de um Tempo, Década de 60, por onde andava você?  E mais... (edição esgotada), falei muito sobre futebol, mas sempre falta um ou outro episódio, fatos, que são interessantes e muitas vezes pitorescos.

Vivi intensamente os anos 60, na cidade fronteiriça, de Bela Vista, na época MT, hoje MS, com Bella Vista Norte, Paraguai. Nesse palco ou tablado fronteiriço, além das travessuras normais de criança/adolescente, joguei muito futebol, cujo, a maioria das passagens consta do livro citado.

Jogávamos futebol, praticamente todos os dias. Era uma gurizada, boa de bola. Só não tínhamos a disposição, materiais esportivos como: bolas, tênis, chuteiras etc... Diferente dos dias atuais.

Na adolescência, em algum jogo mais importante, já nos exigiam, tênis e chuteira. Mas cidade de gente simples, nem todos tinham condições de adquirir tais materiais, e nesse caso ia descalço mesmo. Com todas essas dificuldades e improvisos, aprendemos alguma coisa de futebol...

Lembro-me de um jogo, no campo do Obrero, no fundo do Paraguai, entre Liga Marianos x Obrero.

Para partida preliminar, “reculutaram”, uma gurizada de no máximo 12 anos, do Brasil, para jogar contra equipe do Paraguai. E lá fomos nós enfrentar “los paraguaítos”. Era uma tarde quente, como sempre, naqueles verões bela-vistenses.

A certa altura do jogo, uma confusão generalizada, entre a gurizada (exemplos dos adultos...). Ameaças, xingamentos, socos, daqui e dali. O juiz, “soprou” o apito, e chamou todos para o meio do campo. Com decisão e energia, passou um “sermão” rápido, e deu um basta nos briguentos. Não expulsou ninguém, mas deu; “Um pitaço internacional”! Creio que muitos daquele jogo, aprendemos a lição.

E foi numa madrugada qualquer, já nos finais dos anos 60, com a família toda reunida, que meu pai fez sinal ao ônibus da Viação Cruzeiro do Sul, que freou, fazendo levantar poeira. Aberta a porta, o bagageiro, passageiro e mala acomodada, despedidas, algumas lágrimas dos que ficaram e de quem partiu. Ficou para trás a cidade natal... A poeira da infância, os bailes adolescentes, os namoros, os amigos, os banhos no Rio Apa, a Igreja Santo Afonso, e muito mais...

Nessa busca, de novos horizontes, para trabalhar, estudar, partimos...

O motorista que dirigia o ônibus devia ser o Aladi Nunes (Cajé). Acelerou, e depois de algumas horas de viagem, aportamos na cidade de Campo Grande.

Novamente de ônibus, Viação Andorinha ou Viação Motta, desembarcamos, na rodoviária de São Paulo. De novo de ônibus, em qualquer dessas empresas; Pluma, Penha ou Cometa, e chegamos ao destino final, nessa viagem; na branca, fria e hospitaleira Curitiba – PR. Como diz Dr. Sidney Nunes Leite, nosso eterno diretor do Ginásio Estadual Belavistense: “Curitiba a Cidade Sorriso”. Nesse percurso todo, umas 22 horas de viagem.

Em Curitiba, tudo novidade, instalado em pensão. Estudos, trabalho, relacionamentos, amizades. E vida que segue...

Nessas andanças, o futebol sempre presente.

Em Curitiba, jogamos pela Amep-Associação de mato-grossenses no Estado do Paraná. Simultaneamente, num time de catarinenses, cujo, a maioria dos amigos, era da cidade de Treze Tílias - SC. Moravam todos numa pensão da Rua XV de Novembro, hoje Rua das Flores, que ficava próximo a Praça Santos Andrade e do Teatro Guaíra.

E num fim de semana, aniversário da cidade de Treze Tílias, como parte das comemorações, fomos convidado a participar do evento, enfrentando a Seleção Trezetiliense de futebol.

De ônibus, viajando a noite toda, com muito frio, passando pela cidade catarinense de Joaçaba, chegamos ao nosso destino, Treze Tílias. 

Alojados. Sábado à noite, fomos a um baile. No domingo à tarde futebol.

Quem ora escreve, o mais novo da turma, foi comentado em prosa e verso, como uma das esperanças de vitória. Diziam: “Esse guri é craque.

Retornando a Curitiba, vai jogar no Atlético”.  Como dizem no popular, “entregamos o ouro”.

Em função dessas conversas, colocaram uns três marcadores.

Resumo do fiasco. O frio, já perturbou meu futebol, e mais a marcação cerrada, não deu outra. Perdemos o jogo de 4 x 1. Pelos menos fiz o nosso gol de honra. Dessa gente boa de Treze Tílias, que me lembro (Zeca, Betão, estudantes de Medicina e Engenharia respectivamente. Waldir, Dimas, trabalhavam no comércio. Barth, também trabalhava no comércio, na tradicional e histórica, Lojas Hermes Macedo S.A. E Oswaldo, Segurança de

Bancos... Outros já me fogem da memória, o que é uma pena).

Nos fins de semana, jogávamos em Curitiba.

Nesses jogos e, ou peladas que fazíamos, sempre tinham “olheiros”. Dessa forma fui convidado a treinar no Coritiba, Atlético Paranaense e Britânia.

Na pensão, onde eu morava, nos altos da Rua XV de Novembro (é meus amigos, saudade existe...). Moravam alguns jogadores do Coritiba; Hermes (ex-lateral direito do Santos), Cláudio (ex-lateral do Corinthians), Bidon (meio-campo), Reinaldinho (meia-esquerda). Todos titulares do “Coxa”.

Reinaldinho tinha um Corcel me parece, que era cor laranja, daqueles primeiros. E numa quarta-feira, rumamos, para o Estádio Belfort Duarte, hoje Couto Pereira, no bairro Alto da Glória, onde se encontra o campo do Coritiba.

Fui convidado a fazer um teste. La chegando eles foram para o vestiário, e eu fiquei aguardando. Os Jogadores entraram em campo e veio o Ronaldinho, e me disse: “Paulo, hoje, vai ser treino físico. Vamos voltar outro dia ok”! Agradeci.

Antes de sair do Estádio, estava uma “rodinha” de pessoas conversando, me aproximei, como protagonista, o Rinaldo, (ex-ponta esquerda do Palmeiras e da Seleção Brasileira), que nessa época jogava no Coritiba ou Coxa. Fiquei ali, por mais alguns minutos, e me mandei, de volta para pensão. Por falta de oportunidade, não voltei mais.

O proprietário dessa mesma Pensão, Senhor Amauri, irmão do José Lázaro Robles (Pinga), uns dos craques do Vasco e da Seleção Brasileira, final dos anos 50, viu-me, jogando, na quadra do mesmo Coritiba e me falou: “Paulo, vai treinar no Atlético. Vou falar com Anura, que é o técnico do Juvenil”.

Feito isso, fui treinar no Atlético.

Sem malicia, e nem muita noção, fui ao treino achando, que ia ter chuteira, melhor que a que eu tinha e demais materiais, calção etc. Deram-me um calção maior que eu, e uma chuteira, que deveria ser 43, deu, quase o dobro do meu pé. Não podia dar certo. E me colocaram numa posição de meio campo do lado direito. Treinei mais ou menos, e o técnico Anura, me disse: “Volta ai, dois dias depois”. Não voltei mais.

E foi numa noite, num jogo, no tradicional Clube Santa Monica de Curitiba, que o Juiz de Futebol, que apitava o jogo, após o encerramento da partida, veio até mim, e disse-me: “O garoto, você, joga em algum time, aqui”? Respondi-lhe não! “Não quer ir treinar no Britânia”? Disse-lhe, vou.

Falou: “Vai La, no treino, tal dia, e fala que eu te mandei”.

Era uma tarde fria. O técnico me colocou de Ponta-Esquerda, eu era meia. Foi mais ou menos. Disse volta tal dia, que você vai dar certo. Voltei nada! E assim foram minhas passagens futebolísticas, por Curitiba...

E já em São Paulo, alguns anos depois, passando na frente da Federação Paulista de Futebol, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, estava indo, para a Faculdade, encontrei o Juiz de futebol, que havia me apresentado ao Britânia. Fui cumprimentá-lo. Estavam outras pessoas, que deveria ser juízes de futebol. Ele disse: “Fui empresário do rapaz”. Deu-me um abraço, despedimo-nos. Pena, que não recordo seu nome. E mais uma quadra e meia, estava na Faculdade, que cursava.

Fiquei em Curitiba, uns nove meses, e por problemas particulares, tive que retornar a Mato Grosso, e me estabeleci em Campo Grande 1971.
Campo Grande, no início dos anos 70, era muito diferente do que é hoje. Era uma cidade interiorana, maior um pouco que as outras cidades do interior do Estado. Era uma beleza, a cidade, as pessoas e o movimento. Isso sem falar dos “belos e dourados anos da juventude”. Não é Dr. Sydney Nunes Leite?

Na cidade Morena, depois de alojado em pensão, começa o dia-a-dia!

Em relação estudos, trabalhos, e algumas participações em futebol, já escrevi em outras crônicas.

Dessa forma vamos direto a assuntos não mencionados, referentes ao futebol, e algumas outras passagens, cotidianas.

Alem de gostar de futebol na época, existia a possibilidade de com o futebol, arrumar emprego e ganhar algum dinheiro, pagar as contas. “hai que sobreviver, chamígo” (palavra em guarani que quer dizer, amigo).

Devido às rivalidades, os times de futebol na cidade, começavam a dar ajuda de custo, aos seus atletas. Assim, além de estudar (prioridade), procurando trabalho, e jogando uma “pelada aqui ali”.

Começam contatos com os times de futebol campo-grandenses. O Campeonato na época era disputado no Estádio Belmar Fidalgo, onde hoje, transformou-se numa bela Praça de Esportes.

Na Moderna Associação Campo-grandense de Ensino (MACE), onde eu estudava, formamos nossa equipe de futebol. Jogávamos peladas, disputávamos campeonatos.

Sempre havia solicitação, para jogar por outras equipes da cidade, que jogávamos em outros campos. E assim começamos a receber convites, para atuar em times amadores da cidade. Prenuncio do profissionalismo na época.

O primeiro convite para treinar em Campo Grande, foi na Equipe do LS (Laucídio Souza). Time da família Coelho. O Treino foi no campo do Frigorífico Frima. Saída para Terenos, Aquidauana. Treinei, e no final do treino o técnico veio até mim e disse-me: “Está aprovado! Agora é só você falar com seu Lúdio, prá te arrumar emprego”. Saí feliz da vida!

Seu “Lúdio”, como o chamavam, geralmente ficava na Inspetoria do Banco Financial de Mato Grosso (banco de propriedade da família Coelho), que ficava localizada, na Rua Barão do Rio Branco, esquina o com Avenida Calógeras.

“Seu Ludio”, muito ocupado, nas duas vezes, que lhe procurei, não o encontrei.

Nesse ínterim, surgiu o convite, para treinar no Comercial.

Estudava a noite, no Colégio São Luis, localizado na Rua Barão do Rio Branco, esquina com a Rua Padre João Crippa, em frente da Praça do Rádio Clube. Hoje esse local, me parece, que pertence aos padres Salesianos.

Estava em sala de aula, quando o Diretor do Colégio seu Lafaiete, pediu licença ao professor e disse que queria falar comigo. Saí da sala, estava ele, e mais três pessoas. Querem falar com você. 

Eram Diretores do Esporte Clube Comercial; tratava-se, do Dr. Paulo Dittmar, Dr. Carlos Alberto e o outro não me recordo, convidando-me para treinar no Comercial.

Fui treinar. Praticamente treinando como atleta comercialino. Treinei mais ou menos uma semana. Como não ouve uma solução rápida, surge o convite para treinar no Noroeste. Fui convidado, pelo saudoso Hélio dos Santos (Deda), para fazer um teste, num jogo contra a famosa e forte equipe do Bairro São Francisco. Era domingo, numa ensolarada manhã.

Chegamos para o jogo na lambreta vermelha do Deda.

Ganhamos o jogo de 7 x 3. Marquei 3 ou 4 gols. Jogava no Noroeste além do Deda que eu conhecia, o Alpineu, que chamavam de Pneu. Devido ter feito só esse jogo no Noroeste, não tive a oportunidade de conhecer outros atletas que jogavam no time.

Encerrado o jogo, o técnico Jorge Fraiha, veio até mim, e, disse-me: “A diretoria do Noroeste, quer te contratar”! Disse tudo bem.

Mandaram te oferecer: “Vão pagar seus estudos, alojamento e 200,00 (duzentos, oq? Sei La, sei que era 200) por mês”. Sai feliz da vida. Levei a noticia a um irmão meu: Ele disse: “Porra, tudo isso?”. Ficamos contentíssimos. Passado uma semana da oferta, foi num sábado de manhã, na Rua 14 de julho, bem na frente da Coalhaderia do Grego (famosa pelas deliciosas coalhadas na época), e da Loja Avelino dos Reis. Encontramos

Fraiha e eu. Percebi o Fraiha, um pouco sem graça. Finalmente ele me disse: “Paulo, sinto muito, mas o Noroeste acabou”!

Não sei se foi temporário, ou se naquele ano e naquela semana o famoso e histórico Noroeste entregou os pontos, ou “sucumbiu”.

Passado a sem graceira, começamos a rir do acontecido. Pior foi quando levei a notícia aos amigos. Aí foi uma algazarra só...

Passado a decepção, surgiu a SEI (Sociedade Esportiva Industriaria), através do goleraço Athanásio, convidando-me para jogar na Sei. 

Treinei, e fui contratado imediatamente. Arrumaram-me trabalho.

Trabalhava o dia inteiro e final da tarde, treinava, ali naquele campinho, hoje localizado atrás da Federação das Indústrias de MS. Foi à época talvez, que se formou uma das melhores equipes da Sei.

Jogavam dentre outros: Athanásio, Mauro, Bigode, Sandoval, Guarani, Paulo Cesar, Tonico, Pirrita, João Peixeiro, Zé Coco dentre outros.

Gostavam do meu futebol.  Certo dia, ouvi, um diretor dizer aos outros: “Umas das melhores matérias prima que apareceu aqui”. Fiquei na minha.

Eles não perceberam que eu estava próximo. Quase que eu disse: “Menos...”.

O campeonato estava para começar. Estávamos treinando, aguardando o inicio.

Eu era meia-esquerda (10). Estava no auge da bola. Começa o Campeonato na cidade. O Palco das disputas. Estádio Belmar Fidalgo.

Primeiro jogo nosso, contra o Operário. Eu treinando na meia-esquerda, que era minha posição. Concentramos, na Lagoa da Cruz, seminário dos Padres Salesianos. Nunca havia me concentrado.

E no domingo à tarde formos enfrentar o famoso esquadrão Operariano.

Hora do jogo, rádios transmitindo. Lembro-me do Pereira Guedes, narrando, ouvíamos no campo, alguns trechos da narração.

No vestiário, na entrega das camisas. O técnico Mané Ivo (grande pessoa, boa gente), cujo seu auxiliar técnico era o Romário Cabral, chega para mim e me entrega a Camisa 11; “vai de Ponta Esquerda”. Mas eu sou meia-esquerda! Não sei por que, mas eu tinha uma “aversão” de jogar na Ponta Esquerda e da Camisa 11. Foi um balde de água fria. Entrei em campo, arrasado psicologicamente. 

E prá completar nosso lateral esquerdo, Sandoval, me diz: “Paulo, hora que eu avançar, você recua na minha posição”. Aí já não entendi mais nada. Mas se eu tivesse mais experiência, jogava na ponta e entreva pelo meio, mas não, fiquei “disciplinadinho”, na ponta e voltando prá lateral.

Que fiasco hem! E eu olhava a zaga do Operário, dando espaço, marcando de longe, um dos que me lembro, que estava marcando era o bom e excelente zagueiro Adilson. Lembro-me, daquele jeito, de marcação à distância, se eu estivesse na meia-esquerda, ia fazer alguns gols com certeza. Mas não foi isso que aconteceu. Terminado primeiro tempo, fui substituído.

Belmar Fidalgo estava lotado, e a torcida começou a pegar no pé. Não que eu estivesse, jogando mal, mas não estava produzindo quase nada para equipe. E, eu, ouvia trechos, da narração do Pereira Guedes, que foi muito cavalheiro comigo, não falou, quase nada, que pudesse me prejudicar. Meu irmão Alceu, foi assistir ao jogo, acho que saiu, antes de terminar o 1º tempo.

Decepcionado, disse aos diretores: Não quero mais jogar. Encontraram uma alternativa, fui jogar no juvenil, que era as preliminares, do jogo principal. Como eram poucos times o campeonato foi rápido. Fiquei até o final do ano na Sei, e mudei-me para São Paulo.

Mas antes de falar de São Paulo, vale recordar ou ressaltar, de um time, que formamos em Campo Grande, para disputar, um Campeonato Comerciário, patrocinado pelo SESC. Inscreveram-se, mais ou mesmo 80 times.

O Nosso time, foi formado pelo João Carlos, filho do seu Adib Anache, proprietário da famosa loja de calçados na época “Casa Aurora”. Localizada na Rua 14 de julho, entre as ruas Don Aquino e Cândido Mariano. Seu auxiliar era o grande amigo, Romel Kalil Jacob (duas pessoas sensacionais).

Parece-me, que o time base, foi da MACE.

E lá fomos disputar o Campeonato, que era realizado na quadra do SESC, na Avenida Afonso Pena. 80 equipes.

E o nosso time da Casa Aurora, sagrou-se Campeão. Foi uma festa só. Seu Adib ficou feliz da vida, e nos ofereceu um Churrasco na famosa “Churrascaria Cantero”, de propriedade do saudoso Senhor José Ramão Cantero.

Hoje, pergunto aos nossos “cartolas”, João e Romell, se existe alguma foto ou coisa parecida, daquele campeonato, e nada.  Ah! E o artilheiro do Campeonato, foi o Pedro Renato, ganhou medalha. Hoje, caminhando no Parque das Nações, encontro o Pedro, e ele me diz: “A medalha tá lá guardada”. Que bela época, ou uma época bela”. Éramos adolescentes, entrando na fase adulta.

Buscando novos horizontes, deixei Campo Grande, Rumo a São Paulo.

Verão do ano de 1972... De ônibus, cortando estrada, passando pela ponte rodoviária sobre o Rio Paraná, localizada entre os Estados de Mato Grosso do Sul (município de Bataguassu) e São Paulo (município de Presidente Epitácio). Ponte inicialmente denominada Maurício Joppert, e hoje leva o nome de Hélio Serejo. E o ônibus Motta ou Andorinha, vai que vai...

Adentramos na capital paulista, e o ônibus estacionou na Rodoviária da época, no centro de São Paulo situada na Rua Duque de Caxias.

Era um sábado, chuvoso e cinzento.

Instalado em pensão. Descobrir e, ou descortinar a maravilhosa e indecifrável São Paulo.

Na faculdade, demoramos um pouco, para organizar o time de futebol de salão.  Creio que já foi no segundo ou terceiro ano, que formamos um belo time.

A camiseta era um azul celeste, tipo da seleção uruguaia ou argentina. Nosso time funcionou por pouco tempo, mas nesse período, disputamos alguns torneios inter-faculdades, e alguns amistosos. Creio que essa equipe, durou uns oito meses.

Para “miscigenar” a história, narro esse fato: “Fomos disputar um jogo amistoso, contra outra faculdade”. O jogo estava difícil e muito pegado. A todo o momento, uma confusão aqui e ali, e, eu me metendo a apartar e apaziguar os ânimos. Inclusive, um atleta da equipe contraria disse: “Esse é o cara mais legal desse time”.

Passados alguns minutos, a confusão veio pro meu lado. Emparelhamos, um atleta, e eu, frente a frente. Não deu nem tempo de nada, nosso goleiro, apareceu não sei de onde, e feito um gato, e com uma mão, pegou o adversário pelo pescoço. De sorte, que conseguimos apartar a confusão, e tudo ficou por isso mesmo.

Passados uns dias, nosso goleiro, e, eu, fomos tomar um café, na lanchonete da frente da faculdade, e ele me confidenciou essa rápida história: “Sabe Paulo, quando eu, estava no Sul (será, que era gaucho?! Não tinha jeito, mas talvez fosse)”. Estava servindo o exército, e nesse tempo fui motorista do “Carlos Lamarca”. Mas não tive nada a ver, com sua posição política, só fui motorista dele!

Existia um time de oftalmologistas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que todo sábado jogavam no “Pico do Jaraguá”. E através de um médico campo-grandense, o Gilberto Abuhassan (in memorian), que foi fazer residência em Oftalmologia na Santa Casa, fomos convidado a jogar nesse time.

Gilberto era um craque. Outros mato-grossenses participaram desse time: Serginho Abrão, Ciríaco Rondon e quando ia um ou outro conhecido na época de Mato Grosso, também ia jogar com a gente. Num desses jogos apareceu o Nestor Muzzi.

Esse time fez história, não perdíamos.

Numa manhã, de um sábado qualquer, daqueles anos, fomos jogar contra um Laboratório Farmacêutico, no campo deles. O Jogo estava difícil. De repente uma confusão. Eu estava jogando na zaga, e, vi um atacante nosso, correndo para o nosso campo, e uns quatro jogadores do outro time atrás. Foi até engraçado. Única reação minha, foi ir de encontro aos quatro, trombaram, eu fui jogado uns 3 m. Mas foi importante, porque em função disso, eles pararam e tudo serenou. O bom foi que ao final do jogo, almoçamos todos juntos. E rimos bastante.

Nesses encontros futebolísticos de peladeiros em São Paulo, sempre alguém convidava, um ou outro, para disputar campeonatos de várzea ou outra disputa qualquer.

Assim, funcionários de um Escritório Contábil/Financeiro ou Jurídico, que ficava na Alameda Santos, próximo a Rua Augusta, convidaram-me para disputar um Campeonato de Futebol de Salão em Osasco, região metropolitana da grande São Paulo. Era um campeonato Comerciário, creio que promovido pela Associação Comercial de São Paulo.

Foram mais ou menos umas 100 (cem) equipes. Não recordo com precisão, mas deve ter sido um torneio mata-mata, porque foi rápido. E nosso time foi vencendo, vencendo... E, sagramo-nos Campeão. 

Novamente miscigenando a história. Passado um tempinho, disseram-me, que esse Escritório, era do Pecuarista/Senador Auro Moura Andrade.

Que na época, do golpe militar, foi ele, quem leu o ofício, já que era presidente do Senado, de que estava vago o cargo de Presidente da República.

E o Auro, era filho do pecuarista Antonio Joaquim de Moura Andrade, conhecido como; “Rei do Gado”, que originou a bela música, com o mesmo nome.

Muitos me perguntam, porque não segui a carreira futebolística. Era outra época. Futebol engatinhava em termos profissionais. Complicado e delicado. Pois os jogadores não eram bem remunerados. E uma contusão mais séria, praticamente encerrava a vida do atleta. E também sabe se lá, se eu estava mesmo, com essa bola toda! (há... ha. ha. Menos...).

Talvez preocupados, com a falta de perspectivas do futebol na época, meus “Anjos da Guarda”, diziam: “Larga mão de futebol, e vai estudar”. E assim fiz.

E, o futebol continuou sendo, somente para o lazer.

Então meus amigos, essas passagens e andanças, dos não, tão distantes anos 60/70, e hoje 2017, lá se vão mais de meio século.

No meu caso, começando na fronteiriça Bela Vista, que na época possuía uns 15 mil e hoje, uns 25 mil habitantes. Seguindo para Curitiba, que possuía uns 250 mil, hoje aproximadamente três milhões, de habitantes. Campo Grande 120 mil, hoje aproximadamente hum milhão de habitantes.

São Paulo, com uns cinco milhões e hoje com mais de 13 milhões de habitantes.

No decorrer desse tempo, até hoje, as mudanças, foram em proporções espetaculares, em todos os sentidos.

E uma das intenções dessa narrativa, foi dar uma ideia ou dimensão, do que, representou o futebol, para aqueles jovens da época. Sem dúvida, foi talvez, a diversão maior!

E assim, na época, aqueles garotos/adolescentes, cabelos pretos, hoje brancos. E nessa trajetória, muitos ficaram pelos caminhos da vida...

Nós que continuamos a jornada, podemos observar e viver as emoções, de todas essas passagens e mudanças... E, vida que segue...


J. Paulo Villalba
Servidor Público da UFMS.






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