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01/02/2012 - 17h44

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Gado paraguaio é legalizado em "fazendas fantasmas"

Adriana Molina - Correio do Estado

Animais do país vizinho "ganham procedência" brasileira com registro que existe só no papel

A operação na fronteira que começou em 2011, com o objetivo de evitar a entrada do vírus da febre aftosa no Brasil pelo Paraguai, depois que foi registrado um foco da doença no país vizinho, puxou “o fio da meada” de uma cadeia de crimes na região. Ao investigar por onde e como bovinos entravam em Mato Grosso do Sul, para a partir disso formar barreiras em estradas, Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa), Agencia Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Departamento de Operação de Fronteira (DOF) e Policia Federal (PF) se depararam com esquemas utilizados para a legalização de gado contrabandeado.
De acordo com o Mapa, cerca de vinte grupos de trabalho foram destinados a verificar propriedades rurais, que contam inclusive, com o reforço da Agencia Brasileira de Inteligência (Abin). As primeiras investigações já encontraram fazendas totalmente ou parcialmente fantasmas, com rebanhos superiores a 1,7 mil animais, entre outras irregularidades.
As autoridades optaram por não divulgar ainda as quantidades, nomes e localizações desses estabelecimentos para não comprometer as investigações e novas descobertas. “Mas apuramos sim varias formas que tem sido utilizadas para ludibriar o sistema, como propriedades que não existiam fisicamente, mas tinham movimentação, ou fazenda que existiam, mas o gado constante no sistema não. São poucos caos, mas existem”, disse o coordenador de fronteira do Ministério da Agricultura (Mapa), Joao Cavallero.
Em ambas as situações, o contrabando tem sido “legalizado” através da oficialização dele como gado de uma propriedade brasileira e, posteriormente vendido como de procedência dessa propriedade. Ou seja, o bovino paraguaio entra no País e ganha identidade em uma propriedade que tem rebanho fantasma no sistema – fazenda essa que depois vende os animais em toda a documentação de procedência exigida por lei. O contrabandista ganha sobre o valor de mercado dos animais – muito maior no Brasil.

Tolerância zero

A secretária de produção de MS, Tereza Cristina Correa da Costa Dias, afirma que, assim como já ocorre com abate de animais viajando sem documentação, as punições também serão rigorosas com esses crimes. “É tolerância zero. Tudo sera encaminhado a justiça, que aplicara as sanções cabíveis seja na área fiscal ou penal.”
Tereza pondera que as regiões de fronteira são consideradas problemáticas em todo o mundo, por conta da presença comum de praticas criminosas, mas em Mato Grosso do Sul, o contrabando de bovinos do Paraguai caminha para ser um pratica rara, por conta das dificuldades impostas pelo governo.
O novo Sistema de Atenção Animal da Iagro (Saniagro), por exemplo, tem proporcionado o cruzamento de informações e facilitando as investigações, trabalhando como uma espécie de malha fina para a detecção dos crimes de contrabando. Associado a isso, a presença do exército e polícias também contribuem para cobrir a pratica.
Atualmente há fiscalização e investigação de propriedades em Porto Murtinho, Caracol, bela vista, Antonio Joao, Ponta Porã, Aral Moreira, Amambai, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Iguatemi, Eldorado, Japorã e Mundo Novo.

Colaboração João Carlos Velázquez








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