RIO - A polícia informou que foram quatro e não três bandidos que participaram do sequestro do ônibus que seguia para Duque de Caxias , na Avenida Presidente Vargas, na noite desta terça-feira. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Gisele Rosemberg, o último integrante da quadrilha já foi identificado por fotos do banco de dados da Polícia Civil e terá um mandado de prisão preventiva expedido. Os dois bandidos presos no local do crime após se renderem foram identificados como Renato da Costa Júnior, de 21 anos, e Bruno Silva Lima, de 19. O terceiro preso foi capturado no início da madrugada desta quarta-feira, quando deu entrada no Hospital São Lucas, em Copacabana.
Funcionários da unidade desconfiaram de Jean Júnior da Costa Oliveira, de 21 anos. O paciente deu entrada no hospital com um tiro na perna. Policiais militares do 19º BPM (Copacabana) estiveram no local e prenderam Jean após ele ter sido reconhecido por um dos passageiros do ônibus. O criminoso conseguiu fugir do ônibus assim que o assalto foi anunciado. O bandido fez um passageiro refém até entrar em um carro Zafira, onde estava um casal. Um trio de policiais militares entrou em um Fiesta que havia sido abandonado pelo proprietário, e houve perseguição. Jean desembarcou na favela de Manguinhos e seguiu a pé para o interior da comunidade. Os donos do Zafira saíram em disparada em seguida.
A delegada Gisele Rosemberg disse que os depoimentos dos reféns são desencontrados devido ao tamanho do ônibus e à baixa luminosidade. Alguns passageiros disseram que eram apenas três assaltantes, porém, outros reféns e o motorista do coletivo foram categóricos ao afirmar que foram quatro pessoas que embarcaram. O quarto sequestrador, que não teve o nome revelado, teria fugido junto com Jean.
Também segundo o depoimento de algumas vítimas, nenhum dos bandidos que estavam no ônibus atiraram. Os reféns contaram que os disparos foram feitos apenas pelos policiais com o intuito de acertarem os pneus. A delegada irá pedir uma perícia mais detalhada do ônibus.
O grupo irá responder, a princípio, por três crimes: roubo triplamente qualificado (concurso de pessoas, uso de arma de fogo e restrição de liberdade), formação de quadrilha e receptação, já que estavam com uma arma roubada. Com eles, foram apreendidos três pistolas, sendo uma do policial militar que foi desarmado, uma com numeração raspada e a última que havia sido roubada na área da 35ª DP (Campo Grande), e também uma granada.
O ônibus frescão seguia da Praça Mauá para Duque de Caxias com pelo menos 20 passageiros e foi sequestrado em frente à Universidade Estácio de Sá, na Avenida Presidente Vargas, no Centro. Cinco vítimas e um bandido foram baleadas no tiroteio: três passageiros, um policial e um homem que estava num carro que passava por perto. Com o ônibus sob o controle do bando, equipes do Bope foram para o local negociar a libertação dos passageiros. Às 21h35m, a Secretaria estadual de Segurança deu por encerrada a ação, que durou pouco mais de uma hora.
A passageira Fabiana Gomes da Silva, de 30 anos, foi baleada no glúteo. Uma outra, Lisa Monica Pereira, de 46, levou um tiro no tórax que atravessou o pulmão. Ela foi levada para o centro cirúrgico do Hospital Souza Aguiar e seu estado é grave. Também passageiro, Josuel dos Santos Messias, de 46, levou um tiro na perna. Alcir Pereira Carvalho, de 56, que estava de carona num Montana, foi baleado no pescoço. Um policial, que fazia parte do grupo que conseguiu parar o ônibus, também foi ferido. O bandido Jean Junior da Costa Oliveira, de 21 anos, levou um tiro na perna.
O passageiro Hélio Gomes, de 30 anos, foi obrigado pelos bandidos a dirigir o coletivo na Presidente Vargas, no trecho entre a Universidade Estácio de Sá e a estação Cidade Nova do Metrô. O analista de sistemas contou, em depoimento na 6ª DP (Cidade Nova), que entrou no ônibus na Central do Brasil e acredita que os bandidos já estivessem dentro do coletivo. Já na Avenida Presidente Vargas, o motorista encostou o ônibus e ficou parado por cerca de 20 minutos.
- Achamos que o ônibus havia enguiçado. Depois de um tempo, um policial entrou e pediu para todos colocarem as mãos no banco à frente porque os passageiros seriam revistados. Éramos cerca de 20 pessoas, a maioria mulher - disse Hélio, ao deixar a delegacia.
Neste momento, os bandidos teriam se revelado, desarmado o policial e o expulsado do ônibus. O motorista já havia fugido do coletivo. Como Hélio aparentava estar calmo, os assaltantes colocaram a arma em sua cabeça e o obrigaram a assumir a direção. O analista de sistemas furou o bloqueio policial e avançou na Avenida Presidente Vargas, até os policiais começarem a atirar na direção dos pneus.
- Nesse momento, os assaltantes se refugiaram no fundo do ônibus e eu me abaixei. Quando o ônibus parou, quebrei a janela lateral e fugi - contou.
Segundo Hélio, os assaltantes falavam que uma das granadas estava sem pino. Enquanto um dos bandidos ameaçava matar os passageiros, o outro falava que não queria fazer isso.
- O pessoal está dizendo que os tiros que feriram algumas pessoas vieram de fora do ônibus, mas não tenho como afirmar isso.