BelaVistaMS
Carta a Redação

04/11/2010 - 13h03 - Atualizado em 04/11/2010 às 13h11

Carta a Redação

Para: Bela Vista MS e leitores do mundo

Rogerounielo Rounielo de França

1. É uma meia verdade dizer que o FED emite dólares, apenas, para estimular a economia dos EUA. O principal fator para emissão de dólares pelo FED é que o governo dos EUA continua gastando acima das suas possibilidades e, ao invés de aumentarem os impostos, o que atingiria a classe dominante, bem como diminuir os gastos públicos, continuam gastando e empurrando a conta dos seus gastos para o resto do mundo emitindo dólares para pagar suas contas, pois é muito difícil abrir mão da comodidade e do conforto material.

2. Não confie, apenas, nas minhas palavras. Veja com seus próprios olhos. Consulte no site http://www.cbo.gov/ftpdocs/102xx/doc10297/06-25-LTBO.pdf, página 19, informações divulgadas ao público, em junho 2009, pelo Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA, onde consta gráfico com a projeção das despesas do Governo dos EUA, abrangendo o período de 1962 a 2072.

Este gráfico também pode ser encontrado na página 9 do livro "Crise Financeira Mundial", 2009, escrito por William Almeida de Carvalho, da Associação Brasileira de Orçamento Público-ABOP.

3. Em 2011, conforme pode-se observar do gráfico citado acima, inicia-se uma subida, bastante acelerada, do déficit dos EUA e, a partir de 2012, esse déficit muda para patamar, EXTREMAMENTE, ascendente.

4. Dentro dos próximos 12 meses, contados de Fevereiro/2010, o Tesouro dos EUA têm que refinanciar US$ 2 TRILHÕES em dívidas de curto prazo, sem contar as despesas adicionais do déficit, que é estimada em cerca de US$ 1,5 TRILHÃO.

5. Coloque os dois números juntos. Então pergunte a si mesmo quem, no mundo, pode emprestar ao Tesouro Americano US$ 3,5 TRILHÕES em apenas um ano? Até o final de 2012, os bancos americanos têm US$ 1,5 TRILHÕES em obrigações para pagar. De onde sairão esses recursos?

6. Entretanto, há outras causas para o afrouxamento monetário, no mundo todo. Vejamos. O resultado do processo histórico de imprevidência dos governos dos EUA e do mundo, no presente, demonstra, com base em números extraídos da matéria "O risco Estados Unidos", de 18.06.2010, de Carta Capital, que os Governos dos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha e Países Baixos terem DÍVIDAS EXTERNAS LÍQUIDAS DE US$ 30,9 TRILHÕES.

7. Os bancos Europeus e dos EUA possuem dívidas (passivo a descoberto) de US$ 22,5 TRILHÕES, conforme matéria intitulada "Elevado déficit de capital deixa os bancos europeus mais vulneráveis", divulgada em 21.07.2010, pelo Valor Econômico, de onde extraímos o número citado anteriormente e que consta de "Relatório do Instituto Internacional de Finanças-IIF".

8. Se somarmos as dívidas líquidas dos bancos europeus e americanos (US$ 22,5 TRILHÕES) com as dívidas externas líquidas dos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha e Países Baixos (US$ 30,9 TRILHÕES), governos e bancos, citados acima, precisam, conjuntamente e, praticamente ao mesmo tempo, de US$ 53,4 TRILHÕES para continuar suas atividades.

9. Note-se que não há números das dívidas internas desses países e que não há números de dívidas externas e internas de outros grandes países e bancos privados internacionais com problemas, ou seja, essa análise é parcial, mas aparentemente representativa de uma realidade, a meu ver, preocupante.

10. Essas são as razões pelas quais o FED está emitindo dólares para comprar títulos de longo prazo do Tesouro Americano, ou seja, a emissão de dólares está atrelada ao elevado endividamento público dos EUA, bem como a pouca disposição dos investidores de continuar correndo o risco de crédito (risco de não receber o dinheiro de volta) dos EUA que se eleva a cada dia que passa, pois a cada dia que passa os mesmos investidores estão contraindo parcelas cada vez maiores da dívida dos EUA em prazos cada vez mais curtos.

11. Entretanto, continuar emitindo dólares apenas adia, por curto espaço de tempo, a dura realidade que os EUA irão enfrentarão, em pouco tempo, juntamente com o resto do mundo, em função da sua imprevidência de não ter dado educação e renda às famílias, principal motor do crescimento econômico.

12. Não se aborda, por exemplo, nas políticas públicas divulgadas pelo governo dos EUA ou por quaisquer outros governos, do mundo, a questão do endividamento das famílias, principal motor de consumo e, portanto, do crescimento econômico. Não se aborda a perda de US$ 13 trilhões, em patrimônio líquido, das famílias americanas, entre o segundo trimestre de 2007 e o final de 2008, conforme matéria do valor econômico, intitulada "Economia mundial depende de reforma financeira, avalia bis"., situação que não é diferente no resto do mundo. Então pense comigo como é que os governo dos EUA, bem como os demais governos, do mundo, esperam a recuperação econômica de suas economias?

13. Para recuperar a economia mundial os "donos do mundo" teriam que vencer um coisa muito simples, ou seja, o seu próprio egoísmo. Por quê? Por quê o problema não é falta de recursos no Planeta Terra. Esses recursos existem e de sobra. Veja que a questão social e educacional, no mundo, ocorreu em função da brutal acumulação de capital ao longo do tempo, no Sistema Financeiro Internacional e nas mãos de uns poucos, conforme demonstram os números, a seguir:

a) o volume de derivativos nos bancos dos EUA saltaram de US$ 16,8 TRILHÕES, em 1995, para US$ 200,4 TRILHÕES, em 2008 (Fonte: http://www.occ.treas.gov/ftp/release/2010-33a.pdf, página 10);

b) quatro bancos americanos (JPMORGAN CHASE BANK NA, BANK OF AMERICA NA, GOLDMAN SACHS BANK USA e CITIBANK NATIONAL ASSN) detêm 95,07% do montante de derivativos (US$ 212,4 TRILHÕES) que estão no Sistema Financeiro Americano (Fonte: http://www.occ.treas.gov/ftp/release/2010-33a.pdf, página 23);

c) o Sistema Financeiro Internacional, ao longo do tempo, também entrou no mercado de especulação financeira com derivativos e, em função disso, o total de derivativos, no mundo, que, em 2002, era de US$ 127,6 TRILHÕES, saltou para US$ 683,7 TRILHÕES, em 2008 (Fonte: página 57 do livro "A Crise Financeira Mundial - Uma perspectiva dos Emergentes para os Cidadãos do Mundo Globalizado", 2009, escrito por William Almeida de Carvalho, da Associação Brasileira de Orçamento Público-ABOP);

d) Nota-se aqui o crescimento brutal dos derivativos em dezembro de cada ano, nesta data (maio/2009), chegavam a quase US$ 592 trilhões de dólares valores nocionais, PARA UM PIB MUNDIAL QUE ESTÁ EM TORNO DE 62 TRILHÕES DE DÓLARES (ver a tabela do PIB de guerra publicado pela CIA no https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/fieldes/2195.html), conforme mostrado na linha vermelha (a linha amarela representa o crescimento mundial).

14. Podemos notar que os bancos privados internacionais e governos das nações mais ricas do Planeta Terra, ao longo do tempo, fizeram elevadíssimas movimentações financeiras e de capital, conforme podemos ver nos números citados anteriormente.

15. Entretanto, essa montanha de recursos financeiros não se reverteu em benefícios sociais, educacionais e capacidade de consumo. O que acontece, então com as famílias? Temos, no mundo, aumento da pobreza, aumento do analfabetismo, diminuição da classe média etc., apesar do grande volume da riqueza movimentada pelo Planeta Terra e é isso, na verdade, que está levando ao colapso do Sistema Financeiro Internacional e, em muito pouco tempo, dos sistemas econômicos de todos os países, do mundo.

16. Os números demonstram que o futuro que espera o mundo, em pouco tempo, não é nada animador. Para mais detalhes sobre esse assunto consulte no meu blog http://rounielo.blogspot.com a matéria, de minha autoria, intitulada "A Política como Fator de Colapso da Economia dos EUA".

Brasília-DF, Brasil, 03.11.2010

Rogerounielo Rounielo de França  - Advogado - OAB SP 117.597 Especialista em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas-FGV Pós-Graduado em Direito Público pela Faculdade Fortium Certificação CPA 10 pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais-ANBIMA Mestre Maçon - Loja Areópago de Brasília 3001 Mestre Maçon - Loja de Pesquisas Maçônicas do GODF nº 3994 Grande Oriente do Brasil-GOB Grande Oriente do Distrito Federal-GODF Presidente do Tribunal de Contas do GODF Participante do Centro Espírita André Luiz-CEAL Funcionário do Banco do Brasil S.A. Diretoria de Micro e Pequenas Empresas






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