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Antônio João

15/10/2010 - 13h57

Antônio João

Cuidado com a história em MS recebe prêmio do Iphan

Ricardo Campos Jr.

"De um modo geral nós brasileiros não temos essa cultura de procurar os espaços culturais, museus, mas é interessante motivar. Hoje são poucos os museus que tem essa peculiaridade", explica o comandante do 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado Hudson Duarte Lima Rocha Júnior, diretor do parque.

Grande parte das pessoas que chegam pela primeira vez ao Parque Histórico da Colônia Militar dos Dourados, localizado na cidade de Antônio João, a 279 quilômetros de Campo Grande, não imaginam que há mais de 100 anos episódios importantes da história de Mato Grosso do Sul ali ocorreram.

Atraídos pelas belezas naturais do local, que conta ainda com um balneário e trilhas para caminhada, habitantes de cidades próximas e turistas de outros estados e países lotam o parque aos finais de semana e feriados.

Enquanto aproveitam para descansar da rotina da cidade, os visitantes acabam conferindo documentos antigos, peças históricas e informações valiosas sobre a Guerra do Paraguai e de personalidades que constituíram história no Estado em um museu mantido ali.

“De um modo geral nós brasileiros não temos essa cultura de procurar os espaços culturais, museus, mas é interessante motivar. Hoje são poucos os museus que tem essa peculiaridade”, explica o comandante do 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado Hudson Duarte Lima Rocha Júnior, diretor do parque.

Trata-se de uma aula de história in loco. “É uma satisfação muito grande. A gente conhece nos bancos de escola a guerra da Tríplice Aliança e pisa nesse solo, na prática verifica aquilo que a gente já estudou”, completa o comandante.

Passado – No portão de entrada do parque foi fixado o número correspondente ao ano em que tudo começou: 1864. Início da Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança.

Havia no local, onde atualmente funciona o Parque Histórico, a Colônia Militar dos Dourados, comandada pelo tenente Antônio João Ribeiro, que ficou no local e lutou até a morte quando tropas paraguaias invadiram Mato Grosso do Sul.

No ano de 1978 foi criada a Colônia Militar dos Dourados subordinado ao 10° Regimento de Cavalaria. As edificações que hoje albergam o museu foram construídas nessa época.

Durante a construção, comandada pelo coronel Cancelo, foram encontradas armas, espadas e outras peças do passado. Porém, o achado mais importante foram os restos mortais do tenente Antônio João Ribeiro.

Foi então que a antiga colônia Penzo passa a se chamar Antônio João. Foi colocado um monumento sobre o local onde o tenente tombou.

Quando o museu foi instalado, familiares de militares doaram armas, roupas e materiais diversos do tempo da guerra. Grande parte do acervo, porém, pertence ao exército. São aproximadamente 575 peças segundo o cálculo do “curador” do museu, sargento Luiz Collins Barbosa Pinheiro.

Collins e um cabo do exército moram no local com a família. Um grupo de 13 militares também fica alojado no parque. De 15 em 15 dias esse grupo é substituído por outros soldados.

O sargento faz um trabalho de catalogação das peças, que não tem sido muito fácil. Ele precisa documentar o local e ano de fabricação, histórico da peça e fazer registros fotográficos do material.

“Tem armas alemãs que eles nem sabiam que fabricavam”, conta Collins. Esse esforço é porque para que o local seja tombado pelo Patrimônio Histórico e o museu reconhecido é necessária toda essa catalogação.

Prêmio – É o 10° Regimento de Cavalaria Mecanizado que mantém o Parque Histórico da Colônia Militar dos Dourados. Esse investimento foi reconhecido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Na próxima quarta-feira, dia 20, o 10° Regimento de Cavalaria Mecanizado vai receber o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, edição 2010, na categoria apoio institucional ou financeiro.

Serão entreguem ainda R$ 20 mil que serão aplicados no projeto de re-adequação do parque, para que possa atrair e abrigar mais visitantes.

Atualmente o parque conta com uma hospedaria com dois apartamentos, cada um com capacidade para 4 pessoas, além de uma cozinha, onde os hóspedes podem preparar as próprias refeições.

Turistas também podem acampar no local sem custos. O valor da hospedagem para civis é R$ 44,00 valor individual; R$ 57,20 o casal, R$ 8,80 para cada criança de 7 a 10 anos e R$ 13,20 para crianças acima de 10 anos.

O telefone para agendamento de visitas é 9936-8167.

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