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Ruth Medina

26/01/2009 - 14h51

Ruth Medina


Qualidade de vida

Cuidado: Trabalhar demais pode ser prejudicial para sua carreira

Viviane de Oliveira*

Ultimamente, com a tal "globalização" batendo à porta, profissionais tendem a mostrar que estão aptos e capacitados para as muitas tarefas do dia-a-dia. No entanto, mostrar serviço além do esperado nem sempre é sinônimo de produtividade e bons resultados. Se você está com excesso de trabalho ou só pensa nele, sente-se estressado e tem dificuldade em conciliar as múltiplas tarefas diárias, cuidado: O "workaholismo" pode estar afetando a sua carreira.

Para a empresa, um workaholic (pessoa que só pensa e vive pelo trabalho) pode até trazer benefícios, pelo menos num primeiro momento. Mas, a longo prazo, a pessoa que continuamente se excede no trabalho pode se tornar um doente em potencial - além de virar um profissional de baixa produtividade em comparação aos outros, que conseguem resolver suas pendências no horário normal.

A VOZ DO ESPECIALISTA

Segundo o médico Marcelo Dratcu, especialista em Medicina Comportamental, ser um profissional que gosta do trabalho e de cumprir metas é fundamental para o bom funcionamento de uma equipe. Porém, tornar-se um workaholic pode prejudicar o colaborador e a própria equipe. "O workaholic tende a ser mais valorizado porque, teoricamente, ele é produtivo e trabalha muito. Mas, na verdade e na prática, nem sempre trabalhar muito é sinal de produtividade", afirma Dractu.

O especialista aponta ainda que trabalhar em excesso não quer dizer que o colaborador irá conseguir atingir resultados considerados positivos. "Ainda que trabalhar muito possa ser considerado por superiores ou pelo próprio profissional como pré-requisito para um bom desempenho, em algumas situações isso pode ser um tiro pela culatra. O workaholic nem sempre tem um desempenho tão bom quanto gostaria de ter."

SINTOMAS

O "workaholismo" não é considerado uma doença. No entanto, pode acarretar doenças e problemas diversos ao organismo. "O workaholic trabalha sem parar, tem uma visão distorcida do lazer e come pensando no trabalho. Por isso, pode agravar gastrite, doenças cardiovasculares e é prejudicial para pessoas com pressão alta", explica o médico.

Geralmente, o individuo considerado um workaholic nem percebe que possui tais características, pois ele considera que trabalhar em excesso é normal. Nestes casos, a sugestão é acompanhamento de quem entende do assunto e ajuda na própria empresa. "Na verdade, a responsabilidade de avaliar como o profissional trabalha durante o seu expediente é da empresa. Caso ele demonstre sintomas de problemas acarretados pelo excesso de trabalho, deve buscar acompanhamento clínico e aconselhamento para a vida pessoal" diz o médico.


LIÇÃO DE CASA

Segundo Elmano Nigri, presidente da Arquitetura Humana (empresa especializada em Gerenciamento Estratégico Humano), existem empresas que apreciam os profissionais workaholics. Mas é preciso ter cuidado. "Na maioria das vezes, o exemplo vem do presidente, que chega até a exigir que seus colaboradores diretos fiquem em reuniões que se alongam noite adentro. Por outro lado, existem corporações que se preocupam com o bem-estar dos seus profissionais, demandando que eles cumpram rigorosamente seus horários de trabalho. Algumas empresas até incentivam períodos de recompensas fora da empresa", diz o consultor.

Para ajudar a identificar o profissional afetado pelo problema, Nigri explica que apoio e orientação devem partir da empresa e destaca a importância de haver um equilíbrio entre as demandas de um cargo. "Os dois lados precisam ter a percepção de que, sem um planejado equilíbrio, o sucesso em geral terá um preço muito alto para uma das partes, ou até para as duas", comenta o especialista em estratégia humana.

QUALIDADE DE VIDA

Para combater o problema, as pessoas consideradas workaholics devem procurar ajuda assim que identificarem os sintomas. Mudar o estilo de vida, relaxar, tirar férias e ter uma vida pessoal ativa são peças-chaves para alcançar o tão almejado equilíbrio.

Tratamentos e terapias comportamentais que ajudam a identificar e tratar uma pessoa workaholic - já que ela não consegue perceber a sua condição - também são fundamentais. "Usar o bom senso, aceitando que não é uma máquina e que precisa de momentos de descanso, o tornará ainda mais produtivo no trabalho", conclui o médico Marcelo Dratcu.

TESTE

Para descobrir se você está passando dos limites no trabalho, responda às questões abaixo, elaboradas especialmente para o Jornal Carreira & Sucesso pelo Dr. Marcelo Dratcu, médico especialista em medicina comportamental.

VOCÊ É UM WORKAHOLIC?

1. Você tem dificuldade de relaxar ou repousar no seu tempo livre e evita tirar férias?
2. Faz muitas coisas ao mesmo tempo e marca o maior número de compromissos no menor espaço de tempo possível?
3. Releva a vida pessoal e familiar em prol do trabalho?
4. É agressivo ou muito competitivo no trabalho?
5. Trabalha ou lê quando come, ou antes de dormir?
6. Tem dificuldade em estabelecer limites de horários para trabalhar?
7. Teme a aposentadoria?
8. Sente-se culpado quando relaxa ou não trabalha?
• Se você respondeu "sim" em pelo menos três questões, fique alerta: você está entrando no limite do workaholismo.
• Caso a resposta tenha sido positiva para a maioria das questões, você apresenta as características de um workaholic. Cuidado: sua carreira e sua saúde podem estar em perigo. Procure aconselhamento com familiares, amigos e colegas de trabalho sobre o seu comportamento e a sua rotina. E não deixe de consultar um especialista.


*Sob a orientação de Fernão Silveira.

 










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