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28/06/2011 - 17h20

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Documentos ultrassecretos podem revelar segredos da Guerra do Paraguai

MS Já

Uma das páginas mais controversas da história brasileira e mais importantes da história do Mato Grosso do Sul poderá ser passada a limpo em breve. Isso porque o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, disse que a Lei de Acesso à Informação deve ser votada antes do recesso parlamentar, que começa em 15 de julho. Na prática, com a aprovação da lei, documentos hoje ultrassecretos da época Guerra do Paraguai, por exemplo, poderiam ser de conhecimento público.

De acordo com Renan, a tendência da Casa é endossar a decisão da Câmara dos Deputados de pôr fim ao sigilo eterno dos documentos. A Lei de Acesso à Informação determina critérios para tornar públicos documentos do governo. A proposta aprovada na Câmara diz que os papeis considerados ultrassecretos poderão ficar em sigilo por, no máximo, 50 anos – 25 anos prorrogáveis por igual período.

Atualmente, os documentos sigilosos recebem um grau de classificação, determinado pelo órgão que o produziu. Os ultrassecretos ficam em sigilo por 30 anos, prazo que pode ser renovado indefinidamente. Na prática, o sigilo é eterno.

O chanceler brasileiro Antonio Patriota não se manifestou formalmente no Senado mas, convocado pela presidente Dilma Rousseff, segunda-feira passada, disse que o Itamaraty não guarda qualquer material que exija sigilo eterno. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também não vê empecilho para que a proposta que libera os documentos seja aprovada no Senado.

A guerra

A guerra do Paraguai terminou há 141 anos e ocorreu entre 1864 e 1870. Ao longo de seis anos, Brasil, Argentina e Uruguai enfrentaram os paraguaios sobre o pretexto de derrubar o ditador Solano López, em uma estratégia semelhante à dos norte-americanos no Oriente Médio atual.

O resultado foi que dos 150 mil soldados brasileiros, argentinos e uruguaios, um terço não voltou para casa, tombaram nos campos de batalha. No Paraguai foram mortas 300 mil pessoas, 20% da população do país.

Correntes histórico-marxistas formadas nas décadas de 60 e 70 no Brasil até hoje defendem que o país foi manipulado pela Inglaterra para entrar no conflito. Outras correntes menos apocalípticas sustentam que o que levou os países à guerra foi uma disputa de poder na região do Rio da Prata, onde Brasil e Paraguai eram protagonistas e por conta do conflito o Paraguai levou a pior.

Com os documentos liberados, muitos desses pontos poderiam ser esclarecidos e os dois lados poderiam ter uma noção melhor do porque do conflito e dos possíveis crimes de guerras que ambos cometeram.

Paz?

A Guerra acabou em 1870, com o assassinato de Solano Lopez em Cerro Corá, 30 km de Ponta Porã, porém, o tratado de paz definitivo só foi assinado em 1876 porque a Argentina não queria reconhecer a independência do Paraguai.

O Brasil já havia assinado um tratado desse tipo antes, em 1872. Em 1943, como gesto de desculpas, o Brasil devolveu alguns troféus de guerra ao país vizinho e em 1975 os presidentes ditadores Ernesto Geisel (Brasil) e Alfredo Stroessner (Paraguai) assinaram em Assunção um Tratado de Amizade e Cooperação e o governo brasileiro devolveu mais troféus da guerra.

Ano passado o presidente Lula repetiu o gesto e devolveu o Canhão Cristiano, feito com sinos de igrejas paraguaias para tentar deter os brasileiros e que foi tomado como troféu pelos invasores do solo paraguaio.

Mato Grosso do Sul

A guerra começou em Mato Grosso do Sul. A Colônia Militar de Dourados, próximo à Antônio João foi um dos primeiros pontos invadidos pelas tropas paraguaias. Foi ali que morreu o Tenente Antônio João, tratado como herói em Dourados e pelo Exército Brasileiro.

Antes da Guerra, o território paraguaio se estendia até onde hoje fica a cidade de Rio Brilhante. Após a Guerra a fronteira foi recuada até o limite de Ponta Porã, uma distância de quase 200 km.

A guerra também colaborou para a ocupação territorial do Estado. Dourados, por exemplo, começou a receber as primeiras fazendas no pós-guerra. Foi aberto também o ciclo econômico da erva-mate que durou até o final do século XIX e que trouxe muitos imigrantes paraguaios para as plantações. Mais tarde, após o fim da exploração da atividade, esses mesmos paraguaios ficaram morando e ajudaram a construir várias cidades da fronteira e do sul do Estado. Hoje são quase 300 mil paraguaios e descendentes morando no Mato Grosso do Sul.






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