
A implantação da “Trilha da Retirada da Laguna” foi discutida esta semana, em Campo Grande (MS) por representantes de vários setores da sociedade sul-mato-grossense. A ideia é usar um dos cenários mais marcantes da Guerra do Paraguai para incentivar o desenvolvimento turístico e cultural da região. O roteiro da caminhada vai passar pelos municípios de Bela Vista, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Miranda, Nioaque, Aquidauana e Anastácio. O estudo foi baseado no romance ‘A Retirada da Laguna”, de Alfredo d'Escragnolle Taunay.
O encontro foi promovido pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). Participaram da reunião o presidente da FCMS, Américo Calheiros, a senadora Marisa Serrano (PSDB), o deputado estadual Reinaldo Azambuja (PSDB), os prefeitos de Guia Lopes da Laguna, Jácomo Dagostin, de Aquidauana e Nioaque, vereadores de Anastácio, Jardim, Bela Vista e Aquidauana, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico, Hidelbrando Campestrini, além de autoridades do setor cultural, representantes do Exército, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e dirigentes do setor turístico do Estado.
A senadora Marisa Serrano acha que se trata de um projeto ambicioso que pode repercutir de forma muito positiva para a imagem do Estado. “A proposta reúne turismo, história e cultura, com forte perspectiva para gerar renda, emprego e intenso movimento da economia regional”, disse. Ela vai discutir o assunto com a bancada parlamentar do Estado a fim de viabilizar recursos de emendas para o projeto, além de ajudar a encaminhar a proposta ao Ministério da Cultura. “Acho que o projeto representa um grande desenvolvimento para a região. Ele também traz a oportunidade de criarmos um ambiente de investimentos significativos ao longo da “Trilha da Retirada da Laguna”.
A reunião foi considerada pelos participantes um “ato histórico”, visto que pela primeira vez envolveu segmentos representativos da sociedade sul-mato-grossense em torno de um trabalho de pesquisa que vem sendo discutido e estudado há mais de cinco anos por especialistas de diversas áreas.
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul pretende transformar a “Trilha da Retirada da Laguna” num roteiro turístico e cultural à semelhança do que é feito com o “Caminho para Machu Picchu”, no Peru, ou ainda o “Caminho do Sol”, na Espanha. O objetivo do projeto será oferecer aos amantes da caminhadas a vivência com a realidade histórica de Mato Grosso do Sul, colocando-os em contato com o cenário dos acontecimentos de um dos momentos mais dramáticos da Guerra da Tríplice Aliança.
De acordo com o presidente da Fundação de Cultura de MS, Américo Calheiros, o processo para a implantação da “Trilha da Retirada da Laguna” encontra-se numa fase amadurecida. “Os estudos do sítio histórico se encontram em fase conclusiva. Conseguimos delinear com grande margem de precisão geográfica o percurso feito pelos soldados brasileiros na região onde hoje se localiza os municípios do Sudoeste de Mato Grosso do Sul, considerado por historiadores como um dos principais palcos da Guerra do Paraguai”, informou.
Para a presidente da Fundação de Turismo, Nilde Brun, a “Trilha da Retirada” tem potencial para ser um atrativo importante, visto que percorre uma das regiões turísticas mais representativas do Estado.