BelaVistaMS
Política

02/02/2011 - 14h41 - Atualizado em 02/02/2011 às 15h12

Política

Takimoto: "Dourados é fundamental para o futuro de MS"

(Edson Moraes - DRT/MS 857)

Entre os 24 deputados estaduais novos e antigos que tomaram posse do cargo na segunda-feira passada, ao menos um se encaixa nas diferentes categorias. Aos 69 anos, o médico George Takimoto, paulista de nascimento (é de Lavínia) e sulmatogrossense por convicção, exerce agora seu primeiro mandato de deputado estadual. É estreante na Assembléia Legislativa, mas um veterano que retorna à vida pública de Mato Grosso do Sul, Estado para o qual já prestou relevantes serviços como vice-governador (1987-90) e deputado federal (1991-94). Havia 20 anos estava afastado da política, dedicado exclusivamente à Medicina, mas o turbilhão da crise ética e administrativa que devastou sua querida Dourados apresentou diante de si um desafio novo: o de juntar-se mais uma vez às esperanças de um povo que habita o segundo maior município do Estado e sofre as conseqüências de gestões desastrosas.
“Sei da responsabilidade que carrego, tenho consciência da dimensão dos problemas, da dimensão e das expectativas das famílias douradenses. Mas trago em mim a certeza de que Dourados não se dará por vencida. Só precisa ser vista em toda sua grandeza e importância pelos dirigentes locais, estaduais e nacionais. Dourados é fundamental para Mato Groso do Sul. E quando a conjuntura do poder tratar o Município com essa visão, verá que investir em Dourados será bom para o Município e melhor ainda para o Estado e o País” analisa Takimoto. “E quando eu falo do lugar, refiro-me a toda a região, à Grande Dourados, aos mais de 20 municípios que partilham de uma mesma geografia e nutrem aspirações comuns”, acentua.
TRAJETÓRIA - Takimoto fala com a autoridade de quem já viveu diferentes experiências no cenário político da cidade e do Estado. Seu ingresso na vida pública foi quase casual: o prestígio como médico já estava consolidado quando, no início dos anos 80, filiou-se ao PDS, sem a intenção de mergulhar na política como candidato. Em 1982 foi convidado para preencher, como vice de Luiz Antonio Gonçalves (já falecido), uma das chapas que disputariam a Prefeitura. “Entrei meramente como cabo eleitoral”, diverte-se. A vitória da chapa revelou à população novas opções de representatividade. Em 1986, já no recém-nascido PFL, do qual era o presidente em Dourados, Takimoto é chamado para compor a primeira chapa de aliança interpartidária no Estado, como candidato a vice-governador de Marcelo Miranda.
De 1987 a 1990 foi um vice atuante, cumpriu papéis importantes para o Estado e chegou a chefiar o Governo na ausência do titular. Poucos sabem, mas Takimoto plantou a semente da Universidade Estadual (Uems) na mobilização institucional e política pela criação da Universidade Latino-Americana (Uila), coordenada pela professora Lori Gressler. O sonho da Uila se esvaiu, mas deixou na luta o embrião que os deputados Walter Carneiro e Roberto Razuk semearam com um projeto transformado em lei na Constituição Estadual criando a Uems. O vice Takimoto também conseguiu com o governador a criação e a instalação, em Dourados, da sede da vice-governadoria, que funcionou em um ano e meio de muitas transformações. “Foi um período único em nossa história, um tempo em que nossa força política e econômica produziu grandes resultados para toda a região”, lembra.
Em 1990, fim de mandato, o vice Takimoto tinha plenas condições para aspirar a outros vôos eleitorais: Governo, Prefeitura ou Congresso Nacional. Porém, como nunca quis ser candidato de pmesmo – conforme faz questão de enfatizar - optou por disputar uma cadeira de deputado federal. O PFL elegeu dois: ele e Waldir Guerra. Na Cãmara, com excelente trãnsito junto a lideranças nacionais, potencializou a busca de recursos e projetos para o Estado. Hoje, segundo Takimoto, Dourados precisa recuperar a mesma condição de outrora. “jnão só uma representativa quantitativa, mas sobretudo qualitativa, eficiente, acreditada, capaz de fazer a leitura verdadeira do que pensa a sociedade”, salienta.
O novo mandato – Takimoto diz que vai trabalhar por todo o Estado – ele recebeu 23.646 votos em 60 dos 78 municípios – e pontua, porém, que a Grande Dourados merece a máxima das atenções de todos os políticos. Especializado em Clínica Médica e Cirurgia-Geral, garante que continuará atendendo seus pacientes, mas vai ajustar o tempo para defender metas políticas que considera fundamentais. A maior prioridade é a melhoria da saúde pública. “Ainda tem gente morrendo por falta de assistência médica. Tem PAC saneamento, PAC habitação, PAC asfalto...e não tem PAC Saúde. Temos que pensar sobretudo na saúde da criança e dos idosos,na gente que construiu o Estado, a cidade. Esse débito precisa ser ressarcido pelo poder público”, protesta.
Uma das principais bandeiras de Takimoto para a Grande Dourados é a criação do Centro de Diagnóstico e Tratamento do Idoso Carente. Os recursos seriam obtidos por meio de orçamentos do Município e emendas parlamentares. Já defendeu a idéia para algumas lideranças e recebeu apoio total do senador Delcídio Amaral e do deputado federal Vander Loubet, ambos do PT. “Conto para isso com o envolvimento de todos os parlamentares que se interessarem por Dourados, do futuro prefeito Murilo Zauith, além, é claro, da mão pesada do governador André Puccinelli, com a sua caneta que desliza no papel”, afirma.
Takimoto acredita que Dourados pode chegar ao estágio obtido pelo norte do Paraná, cujo peso político-gerencial é decisivo para o Estado. Para isso, são necessárias algumas condições. “O Murilo, elegendo-se prefeito, tem que ser um líder regional. A classe política precisa repensar a forma de tratamento que dá à região, por na prática algumas responsabilidades como a qualificação da mão-de-obra, a manutenção da malha viária, o zelo ético, a eficiência administrativa, a sustentabilidade...Quando o sonho da Uila foi lançado, o foco central era o ecossistema do Pantanal. Enfim, se fizerem coisas sem combinar com o povo, Dourados vai seguir patinando e seu povo sofrendo as consequências”, conclui.






Comentários Comente a notícia